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CONFRARIA DA RAÇA MARINHOA
A Confraria da Raça Marinhoa surge de várias conversas entre Alfredo Côrte-Real, Conceição Santos e Luís Altino que visavam criar "algo" com interesse cultural para a região.
Em plena pandemia, a ideia foi amadurecendo tendo sido formalizada por Escritura Pública no dia 18 de Agosto de 2021.

No dia 18 de Agosto de 2021 foi feita a escritura pública de constituição da Confraria da Raça Marinhoa no Cartório Notarial de Albergaria-a-Velha. Esta Confraria é fruto de uma reflexão profunda sobre a História e Cultura de uma região muito abrangente que vai desde Aveiro até Coimbra ligada a uma ruralidade que, hoje em dia, se tende a perder.
Após várias reuniões, reflexões e tertúlias, a Confraria viu os seus Estatutos e Regulamento Interno aprovados no dia 8 de Abril de 2021, pelos seus 3 sócios fundadores em pleno período de pandemia. A Confraria da Raça Marinhoa tem como sócios fundadores Alfredo Côrte-Real Souto Neves (Presidente), Conceição Santos (Tesoureira) e Luís Altino (Secretário). Como co-fundadores conta com a presença de várias individualidades das quais muitas delas exercem distintos cargos em vários sectores.
O objectivo desta Confraria da Raça Marinhoa vai muito mais além do tradicional conceito das Confrarias Gastronómicas, pois tem o intuito de não só promover a divulgação desta simbólica e especial raça Marinhoa e das suas qualidades e potencialidades gastronómicas como também de toda a cultura, etnografia, história e demais envolvências deste nobre animal.
A Raça Marinhoa, também conhecida por Gado Marinhão é uma raça com características únicas e que as distingue das demais raças. O seu habitat natural extravasa o campo e estende-se à ria de Aveiro e a toda a costa compreendida entre Aveiro e Coimbra/Figueira da Foz.
A Marinhoa era utilizada no campo, com a finalidade de produção de carne e leite, bem como fornecedor de tracção animal com a qual eram puxados os carros de bois. Mas, através da sua selecção é um animal de "perna alta" o que lhe permite outro tipo de tarefas como a recolha de sargaço com os moliceiros na ria de Aveiro. Era ainda muito utilizada para puxar e trazer os barcos do mar, bem como as redes cheias de peixe na conhecida e tradicional Arte Xávega. Infelizmente tudo isto se desvaneceu com o aparecimento de máquinas agrícolas como os tractores e da introdução das chamadas vacas frísias com maior capacidade de produção leiteira mas não tão adaptadas a esta realidade lagunar e marítima. Sendo um animal extremamente polivalente, com características especiais e muito versátil, possante e dócil teve também influência nos usos e costumes bem como na etnografia da região.
Em torno desta raça desenvolveram-se ofícios e místeres como a exclusiva arte das cangas da qual, hoje em dia, já só há uma pessoa a executá-la, o Sr. Joaquim "Ruivo", natural e residente no Bunheiro e descendente de uma linhagem de artesãos dedicados a esta arte.
As cangas da Marinhoa são reflexo da ligação desta raça com as actividades aquáticas pois as suas cores e tintas são os restos das utilizadas nos barcos moliceiros são característicos desta região. Também a olaria imortalizou as diversas actividades rurais e piscatórias onde o gado marinhão se destacou na sua ajuda às gentes rurais e piscatórias através das múltiplas actividades que desempenhava.
A carne Marinhoa também se destaca pelas suas características e qualidade, pois é normalmente criada em regime extensivo, no campo e no seu habitat natural o que lhe confere uma apetência extraordinária para degustação, diria até, gourmet.
Esperemos que esta distinta raça volte aos seus dias de estrelato e consolide o seu efectivo através do qual possa vislumbrar um futuro sorridente e promissor!
Alfredo Côrte-Real
PRIMEIRA NOTÍCIA SOBRE A CONFRARIA DA RAÇA MARINHOA

